Nossa Carreira – por Mariana Caser – revisora e ex-diretora do SindCecierj



A Fundação Cecierj foi o terceiro órgão público no qual trabalhei. Fui professora do Estado por dois anos, de 2008 a 2010, depois, de 2011 a 2014, da rede Faetec, quando finalmente ingressei na Fundação Cecierj, onde sou revisora até hoje. Como professora, já trabalhei em escolas particulares e públicas, mas desde 2011 sendo exclusivamente servidora pública, tenho lutado, ao lado de meus colegas, pelo devido reconhecimento por parte do Estado. Tive o exemplo do funcionalismo público em minha casa e, portanto, o engajamento político e o respeito pelo que é de todos fizeram parte da educação que recebi.

Esse respeito que tenho pelo meu trabalho, entretanto, não costuma ser recíproco. Apesar de amar estar na Fundação, onde tenho colegas de trabalho maravilhosos, integrantes de um corpo de servidores extremamente qualificado, me incomoda demais saber que pedidos básicos ainda precisam ser feitos, muitos deles que se arrastam por anos, sem que o Estado nos atenda. Quando comento com meus amigos que trabalham na iniciativa privada sobre não receber vale-transporte, por exemplo, não há disfarce no semblante de indignação. Recentemente, recebemos um cartão refeição que não é vinculado ao contracheque, tendo sido conseguido por licitação, após anos de discussões. Vejam só, alimentação e transporte, o básico para se estar no trabalho, prerrogativas para o dia a dia de qualquer trabalhador na contemporaneidade, não nos são oferecidas pelo Estado. Seguiremos lutando para termos esses direitos garantidos.

Agora, finalmente, conseguimos que a progressão e a promoção saíssem de um papel que foi por anos não mais que rascunhando. Mediante todos os ataques que o serviço público tem sofrido por parte dos governos, sobretudo o federal, os servidores da Fundação Cecierj precisam contar com o apoio da sociedade para que trabalham. Conheçam-nos e saberão da qualidade dos produtos que entregamos à população fluminense, apesar de termos o salário congelado há, pelo menos, seis anos. A implementação da progressão e da promoção nos ajudará financeiramente, isso é inegável, mas também, e sobretudo, nos preencherá de um ânimo que, hoje, faz falta. Toda relação demanda contrapartida, e nós estamos cansados de oferecer o nosso melhor (inclusive durante a pandemia, em que temos trabalhado de casa) sem recebermos o básico em troca.

Para a implementação da progressão e da promoção como forma de respeito ao servidor da Fundação Cecierj, o que não causará qualquer ônus a ela, precisamos do apoio de todos.

Mariana Caser – Revisora e ex-diretora do SindCecierj

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